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terça-feira, 3 de novembro de 2020

Nos despedimos de Sean Connery

Eis que uma lenda do cinema se despede de uma legião de fãs que, no fundo, esperavam que ele fosse como Juan Sanches Ramirez, um Highlander, um ser imortal. 

Infelizmente, fãs do mundo inteiro se despedem do ator Sean Connery, que faleceu no dia 31 de Outubro do presente ano, aos 90 anos. 

Thomas Sean Connery nasceu em Edimburgo, em 1930 e nos deixou e deixa um legado que deve ser descoberto pelas novas gerações. 

Sean Connery ficou famoso ainda da década de 1960, quando encarnou o agente secreto mais famoso do cinema, James Bond, o 007, personagem criado pelo escritor Ian Fleming. Com um rosto belo e marcante, Sean Connery protagonizou filmes maravilhosos como Os Intocáveis, O Nome da Rosa, Highlander, A Rocha, Caçada ao Outubro Vermelho e Indiana Jones e a Última Cruzada. Desses, O Nome da Rosa e Highlander são os meus grandes favoritos. Sean ganhou um Oscar por sua atuação em Os Intocáveis e foi aplaudido de pé pela platéia presente. 

O ator escocês levou sua cultura e seu charme para as telonas e especialmente para fora delas; Sean Connery contracenou com todas as beldades a que tinha direito, de Brigitte Bardot a Catherine Zeta-Jones. Dentre as suas qualidades mais visíveis, destam-se a sua elegância, seu cavalheirismo e sua hombridade. Sean era casado com Micheline Roquebrune e teve filhos do primeiro e do segundo casamento. Vizinho do reis e admirado pelo mundo inteiro, o ator tinha convicções e opiniões muito polêmicas, que, no entanto, nunca sombrearam o talento artístico. 

O ator foi sagrado Sir pela rainha Elizabeth II em 2000, por suas contribuições ao Império Britânico - embora Connery também tenha se dedicado à causa pela Independência da Escócia. 

2020 nos traz mais esse silêncio. Que ano sem sorte. 

"Existem lugares⠀
Eu me lembro de toda minha vida,⠀
Embora alguns tenham mudado,⠀
Alguns para sempre, não para melhor,⠀
Alguns se foram e alguns permanecem.⠀
Todos esses lugares tiveram seus momentos⠀
Com amantes e amigos, ainda me lembro.⠀
Alguns estão mortos e outros estão vivos.⠀
Na minha vida amei todos eles. 🌹"

(In my Life - canção dos Beatles declamada por Sean Connery, em 1998)







quinta-feira, 2 de abril de 2020

Mensagem para Você ou Kethleen Kelly versus Amazon?

Olá leitores!

Ontem, reassisti ao filme Mensagem para Você e fiquei surpresa ao enxergar as críticas que esse filme contém e que me passaram batidas até então. É sobre essas críticas que escrevo por aqui hoje. 

Kethleen Kelly herdou a charmosa "Loja da Esquina" de sua mãe, Cecília, e como podemos ver, é uma pequena e adorável livraria especializada em livros infantis, onde se pode encontrar livros feitos a mão e onde a proprietária se transforma em uma encantadora contadora de histórias nos finais de tarde. A livraria de Kethleen é um sucesso e seus clientes, adultos e crianças, se relacionam com ela de modo pessoal. 

Confesso que meu coração livreiro suspira ardentemente por cada pedaço da vida de Kethleen: a livraria perfeita e seu público adorável, o apartamento simples e de cores suaves, o namorado lindo que adora máquinas de escrever, o bairro de Uper West Side, o canto nova-iorquino da arte, do cozy e do hygge! O que pode ser mais perfeito? 




No entanto, diante da Loja da Esquina e aos olhos de Kethleen (e de seu público), o futuro se impõe, implacável. Uma Fox Books, a fictícia mega store livreira com amplos ambientes, poltronas fofas, descontos agressivos e seu cappuccino, se prepara para abrir as portas. 

O proprietário, Joe Fox, é filho e neto de empresários milionários. Para homens como eles, a questão não é dinheiro em si, mas a disputa. Na cena em que eles falam sobre concorrentes indo à falência, tem-se a impressão de que eles poderiam estar falando sobre uma corrida de cavalos com a mesma descontração. Joe é um connoisseur de pessoas e afirma, sem pestanejar: "...vão nos odiar no começo, mas vamos conquistá-los no final". Em seguida, ele repete a receita para o seu sucesso: vendendo livros baratos e estimulantes, aprovados por lei. Lhe lembra alguma outra mega store livreira da vida real? Continuemos.

Sem constrangimento, Joe Fox quer a frase "O Fim da Civilização como Você a Conhece" precedendo o anúncio da abertura da loja. Fox é o futuro porque é assim que o futuro se apresenta: ele determina que a vida que você conhece está com a validade vencida e você que lute para se adaptar. 

E enquanto o seu mundinho vem abaixo, a doce Kethleen suspira por um desconhecido com quem mantém, em segredo, correspondências românticas (e muito inocentes) por e-mail.  

Os três funcionários de Kethleen são uma tia idosa e dois jovens que são o retrato da apatia. No entanto, é por Kethleen que sua tia Birdie sai de casa e se ocupa, é por ela que seus funcionários levam a vida que desejam e é através dela que as crianças de Uper Side West mantém um lugar de fantasia e imaginação, onde aprendem a como usar um lenço de verdade. A loja em si é como um baú do tesouro, para clientes e para a própria Kethleen. 

Ao encarar a abertura de uma Fox Books diante da sua lojinha, Kethleen simplesmente diz: "Não vai nos afetar em nada. É grande, impessoal, tem estoque demais e funcionários ignorantes". Mesmo quando seu vendedor a lembra que eles dão descontos, ela não se dá por vencida, pois crê piamente que o seu bom atendimento supera o poder dos descontos. E fecha o diálogo com um pensamento inacreditavelmente ingênuo, dizendo que aquele será o "bairro das livrarias"! Claramente Kethleen não percebe o futuro. Ela acredita que o que a Fox Bookstore não tiver, ela terá, mas não compreende que eles terão TUDO o que ela não tem e que isso significa, em outras palavras, fa-lên-ci-a. 

Kethleen vende livros, experiências e memórias, mas não é uma empresária (não uma com gosto de sangue, como Joe Fox, por exemplo). Não é a toa que seu namorado jornalista a descreve como "um junco solitário elevando-se e balançando corajosamente nas areias corruptas do comércio". Bingo. 

Kethleen oferece o que tem: uma vida pequena mas valiosa, com bons amigos e sua doçura consegue, de fato, quebrar a acidez de Joe Fox, que começa a entrar em crise ao se dar conta dos conceitos que carrega dentro de si. 

Falando em Joe Fox, começamos a entender um pouco dessa criatura em crise quando damos uma boa olhada em sua vida pessoal: sua família é um novelo genealógico e Joe Fox é uma pessoa criada para vencer, não para se emocionar. Apesar de ser empresário do ramo livreiro, não se vê livros em sua casa (coisa que o apê de Kethleen mostra, ostensivamente) e parece apenas suportar a namorada, uma jovem editora que parece uma versão americana de Narcisa Tamborindeguy. 



Há um diálogo importante entre Joe e seu pai, enfadado e separado pela enésima vez, que parece, finalmente, ligar o sinal amarelo na cabeça do rapaz. 

Fox Pai: "...Só preciso encontrar outra pessoa."

Joe: "É fácil achar a única pessoa no mundo que enche seu coração de alegria."

Fox Pai: "Não seja ridículo. Nunca encontrei alguém que correspondesse a essa descrição. Você já?"

É esse trecho do diálogo entre pai e filho que entendemos o motivo pelo qual o guia moral de Joe Fox seja o filme O Poderoso Chefão (que é uma obra-prima mas como guia moral fica puxado) e tratem da falência dos concorrentes com total indiferença.

Pessoas como os Fox não têm consideração com nada nem com ninguém, muito menos com o negócio alheio e seus significados e símbolos afetivos. Afeto não é um idioma que essas pessoas compreendem. Para um empresário como Fox, tanto faz ser dono de livraria ou um açougue. A questão é a disputa, é ganhar o jogo. É a única coisa que os faz sentir vivos e lhes dá sentido. 





Esta cena é muito boa. Joe leva sua tia e seu irmão para passear e ocasionalmente, encontram a "Loja da Esquina", bem na hora em que Kethleen está contando uma história para os seus pequenos clientes. Ali temos outro sinal da lição que Joe vai aprender com Kethleen, quando ele leva uma alfinetada de um vendedor que lhe explica que o livro que têm em mãos tem colagens feitas à mão. Joe pergunta "Por isso ele custa tanto?" e o rapaz prontamente lhe responde "Por isso ele vale tanto".  

Logo depois, Kethleen conhece os Fox e o diálogo que se segue deixa Joe boquiaberto. Kethleen explica que sua mãe fora a proprietária anterior e que ela não vendia livros, simplesmente, mas ajudava as pessoas a se tornarem quem elas iriam ser depois. 

"Quando uma criança lê um livro, ele se torna parte da sua identidade de uma maneira que nenhuma outra leitura na vida se tornará".

Se Joe Fox tivesse um pingo de decência, teria caído desmaiado imediatamente! Ao final da visita àquele paraíso livreiro, onde o clima de Natal parece ter se instalado ali permanentemente, Joe repara na charmosa sacolinha de tecido que acompanha as suas compras - e na cena seguinte, de abertura da Fox Bookstore, vermos as mesmas sacolinhas, com sua logomarca. 

E assim, o inevitável acontece: em uma semana, a Livraria da Esquina deixa de ganhar 1.200,00 dólares e acaba fechando as portas. 

Mas o que mais chama a atenção aqui é a solidão de Kethleen. 

Seus funcionários começam a debandar, sua tia idosa encara a coisa toda sem apego nenhum e seu namorado resolve que esse momento é perfeito para romper com ela e flertar com uma âncora de tv. Kethleen sofre por que sente que é a única a lamentar de fato pelo fechamento da Loja da Esquina. Ela é a última a sair. E o expectador a acompanha com o coração pequenino, pois a cena daquele paraíso, outrora coloridinho e cheio de clientes risonhos, agora vazio e às escuras é de partir do coração. 


Joe fica perplexo ao saber que aquela livraria insignificante tenha tido uma proprietária tão encantadora como Cecília Kelly, mãe da igualmente encantadora Kethleen, e que seus clientes se lembrem dela e agora levam os próprios filhos. Cecília e Kethleen emocionam as pessoas. 

Já imaginaram alguém como Joe Fox parando suas atividades no fim da tarde para contar historinhas aos seus pequenos clientes? Fox é o típico empresário que atravessa a própria loja rumo ao seu escritório sem olhar para os lados, sem curiosidade ou emoção, sem olhar nos olhos de um único cliente, sem cumprimentar aqueles que fideliza. E é por isso que, quando Kethleen consegue dizer um desaforo à altura da perturbação que Joe lhe causa ("Eu vendo livros; você não passa de um terno!"), ele se cala. Numa pequena frase, Kethleen define Joe Fox. 

A constatação de Joe Fox sobre como ele está conduzindo a sua vida, o manda direto à porta de Kethleen, apaixonado e arrependido e o resto é fechamento de um filme romântico: ela vai ter que perdoar o mocinho pelo pequeno deslize de ter levado seu negócio maravilhoso à falência. 

Quem diria que um filme romântico e singelo daria tanto o que pensar, leitores? 

Do alto da minha ainda incipiente experiência no universo louco da literatura, onde a arte se esquece do business frequentemente e paga alto por isso, vejo Mensagem para Você com outros olhos agora. O triste cenário das livrarias encantadoras que fecham as portas diante de mega stores impersonalizadas mas com descontos e mimos também se é percebido em outras searas, como na moda, por exemplo. O fast fashion é um conceito que, para todos os efeitos, atende da forma mais democrática possível os anseios dos consumidores. No entanto, no subterrâneo mundo de fabricação em massa, vemos as mega stores fashionistas mais ocupadas em descobrir novos pontos de trabalho escravo pelo mundo e lustrando sua blindagem jurídica contra fiscalizações "maldosas" do que pensando na Moda, de fato. 

Nos sentimos tristes quando uma livraria em nossa cidade fecha as portas mas não nos sentimos constrangidos por irmos até lá, fotografar as capas dos livros desejados e depois comprá-los numa Fox Bookstore. 

Será que o problema é só falta de grana? Ou nos relacionamos melhor com a mega store porque estamos ficando mais confortáveis com sua ausência de significados? 

Isso é um caso a se pensar. 

Beijos, 


Mariana Mendes 💖











quinta-feira, 19 de março de 2020

Dez Filmes para Assistir durante a Quarentena!

Olá leitores!

Estamos em quarentena e pelas previsões do Ministério da Saúde, a ameaça do CoVit-19 deve nos deixar de molho por mais um mês ou dois. Então, nada melhor do que ter algumas dicas cinematográficas para ajudar a passar esse período longe do tédio! 

Segura essas 10 sugestões maravilhosas para você se divertir e emocionar. 


1. O Silêncio dos Inocentes (1991)

Um baita filme de suspense, drama e terror, tudo junto e misturado. Jodie Foster encarna Clarice Starling, uma agente do FBI que precisa pedir ajuda ao Dr. Lecter, vivido de modo magistral por Anthony Hopkins, um serial killer violento e inteligentíssimo que cumpre pena numa cadeia de segurança máxima, para conseguir localizar outro serial killer, conhecido como "Buffalo Bill". Um filmaço que vai deixar você grudado no sofá o tempo todo!

2. Drácula de Bram Stoker (1992)


Ambientado na era Vitoriana, o príncipe Vlad cruza, por acaso, com uma suposta reencarnação de sua adorada Mina. Apesar da parte dramaticamente romântica, o filme é perfeito para quem gosta de temas vampirescos e a treta fica boa quando o Dr. Van Helsing, vivido por Anthony Hopkins, surge na parada. 

3. A Lista de Schindler (1993)

O filme traz a história do empresário alemão Oskar Schindler que, no princípio só queria continuar lucrando com suas boas relações com militares nazistas mas acaba se tornando responsável pelo salvamento de mais de mil judeus, empregando-os em suas fábricas e os tirando dos terríveis campos de concentração. É emocionante, revoltante e é um capítulo da História que não pode ser esquecido.  

4. Romeu + Julieta (1996)

O clássico shakespeariano assume tons teatrais e modernos, ao mesmo tempo, e o casal central, vivido por Leonardo DiCaprio e Claire Danes, têm a juventude e intensidade perfeitas para os papéis. O filme não muda uma vírgula da história original, mas a novidade é realmente o visual escolhido pelo diretor, que deixa o cenário realmente interessante.

5. Matrix (1999) 

Se o seu gosto vai para a ação e ficção científica, esse é o filme. A história se passa em um futuro distópico, no qual a realidade, da forma como é percebida pelas pessoas, é na verdade, uma simulação inteligente chamada Matrix, criada por máquinas para subjugar a população humana, usando o calor e a atividade elétrica de seus corpos ​​como fonte de energia. Quando o programador de computador Neo é descoberto tanto por agentes que vigiam a Matrix quanto por rebeldes, liderados pelo misterioso Mopheus, sua vida muda 360º! Filmão!

6. Chocolat (2000)

Esse irresistível drama romântico é ambientado numa pequena vila francesa que é chacoalhada pela chegada de Vianne Rocher. Vianne é solteira, tem uma filha, não tem uma religião específica e o mais imperdoável para o prefeito, o rigoroso e controlador Conde de Reynauld: ela insiste em abrir uma chocolateria em plena Quaresma, período de penitência e jejum para os católicos. A acolhida que ela oferece à sofrida Josephine Muscat e ao cigano Roux (vivido pelo gatíssimo Jonnhy Deep) acaba de vez com a paciência do Conde, que parte para medidas drásticas. Um filme lindo, lindo!

7. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2002)

Algumas pessoas acham que este filme é melancólico, outros o acham chato. Mas de uma forma ou de outra, o filme traz uma mensagem muito bonita e muito forte para seus espectadore; Amélie é uma jovem garçonete que descobre uma latinha com memórias de um garoto de 40 anos atrás e resolve localizar o dono e devolver aquele pequeno tesouro. Emocionada com o resultado da empreitada, investe seu tempo em outros pequenos gestos justiceiros e gentis - enquanto não decide o que fazer com a própria vida e não toma coragem para ir ao encontro do amor que tanto deseja. 

8. Piratas do Caribe (2003)

O filme inaugura uma franquia de sucesso onde o magnífico personagem Jack Sparrow, interpretado à perfeição por Johnny Deep, é apresentado ao público em todo o seu charme e safadeza piratas. É um filme super divertido, com a personificação de ícones da pirataria e ação e humor na medida. 


9.  A Paixão de Cristo (2004)

O filme conta o que teria acontecido nas últimas 12 horas de vida de Jesus Cristo, começando com a noite de agonia de Getsêmani, a prisão, tortura e crucificação, terminando com uma breve descrição de sua ressurreição. Entre essa linha narrativa, ocorrem flashbacks de Jesus quando criança e da Última Ceia, passando pelo julgamento, onde Pilatos lava as mãos sobre a condenação. O diálogo foi reconstruído em aramaico, latim e hebraico, conforme a origem dos personagens, como forma de dar maior fidelidade às cenas. Tenha uma caixa de lenços, porque você vai precisar!


10. Orgulho e Preconceito (2005)

Adaptação de um dos clássicos da autora Jane Austen, o filme, ambientado na Inglaterra do séc. XVIII, traz cenas divertidas e desconcertantes da família Bennet, em especial Lizzie Bennet e seus encontros e desencontros com o maravilhoso porém sorumbático Mr. Darcy, um ricaço que acompanha o grupo do Sr. Bingley, um rapaz gentil, solteiro e também rico, que vem passar uma temporada numa mansão próxima da casa da família de Lizzie. Ele logo se interessa pela mais velha das jovens Bennet, Jane, mas a falta de modos e noção da família dela pode embrulhar um pouco as coisas. Outro filme lindo e super romântico! 



É isso, leitores, espero que tenham gostado! Eu mesma pretendo rever esses filmes todos, pois o tempo passa mas a magia continua e eu adoro revisitar a moral da história de cada um deles. 

Beijos, 


Mariana Mendes 💖


















terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Um filmaço chamado A Época da Inocência


Se vocês leram a resenha de A Época da Inocência, a história não é segredo. Mas aqui, vou me deter sobre o filme, que estreou em 1993, sob uma direção primorosa de Martin Scorcese e um elenco de peso, com Daniel-Day-Lewis, Winona Ryder e Michelle Pfeiffer nos papéis de Newland Archer, May Wallace e Condessa Madame Ellen Olenska, respectivamente.

A cena inicial é num teatro - nada mais adequado. Todos ali estão focados uns nos outros e em suas aparências cuidadosamente construídas.

Newland Archer e May Wallace formam o casal perfeito; ele, muito altivo na figura de Day-Lewis, ela, angelical, na pele de Winona Ryder. Em contrapartida, Madame Olenska é apresentada com um belíssimo vestido azul vivo e a diferença entre os vestidos das duas personagens principais já dá uma ideia da situação. Olenska fugiu do marido e deseja se divorciar. Wallace é uma noiva virginal que tem beijos roubados candidamente por seu principesco noivo.

O filme, que segue fiel ao livro, guarda uma forte crítica ao julgamento da mulher que nãos segue os rígidos padrões tradicionais. Quem saía da linha era punida com uma "erradicação" social. Nenhum convite era feito, nenhum convite era aceito. E assim, se colocava a mulher "rebelde" em um lugar de ostracismo, silêncio e escuridão. 

Porém, essa situação começa a incomodar Archer, que começa a questionar os motivos da condenação à madame Olenska. 

Temos dois diálogos muito claros a esse respeito. No primeiro, Archer está jantando com sua família e sua mãe e irmã criticam tudo que Ellen Olenska faz, usa ou diz. 

Archer: "Ela teve uma vida infeliz, isso não a torna uma marginal."
Sr. Archer: "Certamente é essa a desculpa que sua família vai dar." 

Archer se vê cada vez mais impelido a dar suporte à madame Olenska - a princípio por sentir que sua má reputação poderia lhe atrapalhar o casamento; depois, por se solidarizar com Olenska. May Wallace, inclusive, o apoia em seus esforços para animar madame Olenska - mas engana-se quem pensa que sua condescendência se deva a inocência ou extrema bondade. May sabe perder batalhas para ganhar a guerra. 


 "Ninguém quer saber a verdade. A verdadeira solidão é viver entre essas pessoas que só querem saber o que você finge ser." (Madame Olenska)


Madame Olenska e Archer acabam se envolvendo - e aqui, o diretor deixa para o público entender o que se passa nos corações dos personagens: eles estão se apaixonando mesmo ou só estão encantados pelo quê o outro oferece (e que eles não encontram entre seus pares?). Porém, Ellen está comprometida em se tornar uma "verdadeira americana" e esquecer sua vida passada e Archer, está jogando sua boa reputação e seu noivado com uma verdadeira dama daquela sociedade - ou seja, nenhum dos dois está em posição de seguir seu coração.

Archer: "Nossas leis permitem o divórcio, mas nossos costumes sociais, não. 
Madame Olenska: "Nunca?"
Archer: "Não se uma mulher tem indícios que sejam, de algum modo, contra ela, já tenha se exposto a comportamento não convencional, insinuações ofensivas..." 

O diálogo em que os dois conversam sobre as consequências do divórcio deixa claro que não há, para nenhum dos dois, alternativa senão seguir o que manda a sociedade: Olenska viver em discrição e Archer se casar com May e ser um advogado, marido e pai respeitável. 

Há um link onde você pode assistir ao filme, em português - mas ele está disponível na Netflix também. As atuações são emocionantes e vale muito a pena assistir ao filme depois de terminada a sua leitura. 

Filme A Época da Inocência: https://drive.google.com/file/d/1kXBPKqiLwwjnPNUb4jEFfBO7Yo5M5cC7/view

Eu sou suspeita para falar desse filme, porque é um dos meus favoritos!
Espero que lhes seja agradável também.

Beijos,


Mariana Mendes 💖




quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Filmes & Séries

Olá pessoal!

Na seção Filmes & Séries vou trocar umas idéias com vocês sobre aventuras cinematográficas e televisivas, que provavelmente fizeram parte das nossas vidas e deram histórias para contar.

O universo cinematográfico, para mim, começou com as produções da Disney, do Maurício de Souza e dos Trapalhões. Xuxa veio logo depois. E essas produções eram alternadas com as grandes séries de TV que a gente tinha acesso: Charles Chaplin, O Gordo e o Magro, Dallas, Casal 20, Magnum, McGiver, Anjos Rebeldes e por aí vai.

Não vou dar uma de nostálgica mas aquele período foi especial, porque a televisão a cores era uma grande novidade. Quem vê os programas da Xuxa pelo Youtube hoje não faz ideia de como aquele cenário era vibrante! Tudo era cor e cintilância!

E na época, havia uma outra especialidade que, atualmente, está ficando esquecida: os filmes pegavam o espectador pelo coração.

Quem nunca se acabou em lágrimas assistindo Benji (o de 1974, please)? Nesta cena específica:

Se puderem encontrar esse filme, sugiro que assistam. É de lascar o coracílio.

Sentiram a vibe desta seção? Pois é aqui que vamos relembrar nossos filmes favoritos, descobrir pérolas cinematográficas, evitar as bombas e discutir sobre as produções atuais e claro, falar do Oscar, das produções independentes, dos atores e atrizes, figurinos e das adaptações literárias que tanto nos angustiam! 

Beijos, 


Mariana Mendes 💖